Ser o feliz proprietário de um automóvel antigo tem seus prazeres. Sair final de semana com seu carro impecável e ser o alvo dos olhares é algo que pode massagear o ego. Mas o lado negativo disso é o assédio que os donos destes carros acabam sofrendo.
Sérgio Vidalette, mesmo é vítima frequente deste assédio. Muitas vezes as pessoas que tem estes veículos, os tem como uma fonte de prazer, e não como uma fonte de fazer dinheiro. Tudo bem que um dia ele pode ser esta fonte, mas pelo menos em muitos casos, que cuidam de seus carros como se fossem um filho, esta não é a intenção, depois de meses e até anos de trabalho em cima de um modelo.
É chato o fato de parar um carro em um estacionamento ou mesmo em um posto de combustíveis e ser assediado com uma oferta. Ainda mais quando a oferta seria “irrecusável”. Mas a paixão e o amor pelo carro falam mais alto nestas horas.
Muitas vezes os donos destes carros antigos passam por situações constrangedoras, saias justas por recusar uma proposta de venda de seus carros. Mas pessoas que só enxergam o carro pronto, não tem a real idéia da dimensão de um projeto.
Estudo, orçamentos e pesquisas sobre onde fazer o restauro do carro não são levados em consideração pelo comprador. O que interessa é a obra final, e isto, para quem fez o carro, é um simples detalhe do processo que teve início há muito tempo atrás.
O carro pode ter outros usos também que não sejam a venda. No caso de Sérgio, ele usa seu carro em casamentos, e já percorreu grandes distâncias com seu Citroën. Ele cita a viagem até Florianópolis, onde tinha a missão de levar sua sobrinha até a igreja. Chegou em Santa Catarina intacto e sem deixá-lo empenhado na estrada, como de costume. Sérgio ainda conta que não pisa fundo no acelerador, mas o carro alcança cerca de 120km/h por ter um motor VW 1.6.
Para os jovens que gostam do antigomobilismo ele recomenda, comprar um Fusca para reformar e guarda-lo. Depois de alguns anos tirar da garagem e vender ou te-lo como uma jóia de exibição. Sérgio utiliza como exposição, além de seus carros, seus troféus de participação em eventos de carros antigos e as fotos da restauração do Citroën.
Sérgio fala que seus planos são vender a Rural 67 e comprar um Opala ou um Fusca para reformar. E é claro continuar mantendo a preciosidade do Citroën impecável, sem pegar chuva e sereno, porque só quem ama carros antigos entende tantos cuidados.